Angra dos Reis


História - Angra dos Reis


Angra dos Reis e sua história...

 

            Os mais antigos registros de ocupação humana no litoral de Angra dos Reis remontam de 9000 AC. Era formada por grupos coletores nômades vindos da Patagônia e se alimentavam de caça e pesca; viviam em pequenas choupanas de fibra ou abrigos como rochas, lapas e grutas. Os mariscos e as conchas eram a base de sua alimentação, dos quais, também confeccionavam pequenos adornos. Os tamoios, seus sucessores, deram a eles o nome de “Sambaquis” que significa “montanha de conchas”. Por volta do século V e VI, grupos humanos oriundos do interior do Brasil invadiram o litoral e da mistura com os sambaquis, surgiu a cultura indígena. O Tupi dominou a Costa Verde, em especial Angra dos Reis. Onde hoje é a área urbana da cidade, viviam os tamoios, os goianases e os carijós. Com a chegada dos colonizadores e a união com os goianases começou-se a discórdia entre as diversas comunidades. A maior parte das localidades da Costa Verde ainda guarda a nomenclatura Tupi. Muitos têm no sangue e em suas feições traços indígenas, embora as tribos que vivem nesta região não são autóctones e sim, frutos de migrações desencadeadas pela colonização dos séculos XVIII e XIX. Por volta de 1502, com a chegada dos europeus, os Tamoios e os Tupinambás perderam sua força.

            Angra dos Reis foi descoberta em 06 de janeiro de 1502. Em 1504 o cartógrafo italiano Vesconte de Maggiolo, confeccionou uma carta do Brasil onde Angra dos Reis aparece como “Terra de Gonçalo Coelho”, o que leva a crer que o português Gonçalo Coelho seja o descobridor de Angra dos Reis. Segundo documentos históricos como o planisfério de Nicolau de Cavério de 1502, é chamada de “Baía dos Reis”.

            As lutas contra os tupinambás, a invasão de piratas em busca do Rio da Prata que se abrigavam em volta da Ilha Grande, o desbravamento da região entre as montanhas e o mar, marcaram os primeiros momentos desta cidade.

            Angra tem estreita planície e rios provenientes das montanhas como Ariró, Bracuí e Jacuecanga, onde no século XVII se instalaram as primeiras plantações de cana e engenhos para fabricação de açúcar, melado e cachaça. Em 1776, havia 14 engenhos e 39 alambiques. Desde então, prosperou como ponto de passagem obrigatório das esquadras que seguiam em direção a Paraty. Angra dos Reis virou riquíssimo entreposto comercial, abastecendo tanto as tropas que partiam para Minas Gerais como as que vinham para o Rio de Janeiro com o ouro.

            Com o aumento da população, da riqueza proveniente da agricultura e do comércio e para que a justiça fosse melhor administrada, o príncipe regente D. João determinou que fosse criado na Vila de Angra, em 27 de junho de 1808, o cargo de Juiz de Fora. Em 27 de janeiro de 1829, era criada e instalada a Comarca, que abrangeria também Mangaratiba, Itaguaí e Paraty. O desenvolvimento e importância crescentes da Vila fizeram com que para júbilo de seus habitantes, em 28 de março de 1835, através de um Decreto Provincial, a Vila de Nossa Senhora de Conceição de Angra dos Reis da Ilha Grande fosse elevada à categoria de cidade, com o título de Angra dos Reis.

            Economicamente, a história de Angra sempre esteve vinculada ao mar e às atividades portuárias. Em meado do século XIX, já era o segundo maior porto do Brasil meridional.

            O ouro vindo de Minas Gerais e, mais tarde, o café do Vale do Paraíba foram os principais produtos exportados através do município, fazendo com que os seus ciclos de expansão econômica estivessem por muito tempo atrelados às oscilações da economia agro exportadora brasileira.

            A cidade crescia com força, com suas ruas estreitas, calçadas com “pés-de-moleque” e os casarios, de arquitetura colonial, edificados de acordo com a riqueza de seus proprietários.

            A partir de 1850, com o fim do tráfico negreiro, a construção da Estrada de Ferro D. Pedro II (1858/1877) – que ligaria o Rio de Janeiro a São Paulo através do Vale do Paraíba, além do fato de nenhum ramal ter sido construído até Angra, a decadência do café no mesmo vale e a abolição da escravidão, em 1888, o município angrense ficou isolado e sua importância como um dos centros de escoadouro de produtos da Região Sudeste deixou de existir.

            Sem perspectiva de desenvolvimento e com seu comércio estagnado, ocorreu um declínio demográfico e uma parte de sua população emigrou para outros municípios à procura de um futuro melhor. A cidade entrou em profunda decadência econômica, que perdurou até as primeiras décadas do século XX.

            Felizmente, a inauguração em 1914 de prédio da Escola Naval (Colégio Naval), as construções do Porto de Angra dos Reis (1926/1930), do ramal ferroviário da Estrada de Ferro Oeste de Minas Gerais (1893/1928) – atualmente Ferrovia Centro Atlântico –, ligando Barra Mansa a Angra, fizeram com que a cidade vislumbrasse um melhor futuro econômico.

            Durante as décadas de 1940 e 1950 deu-se início à instalação das fábricas para industrialização do pescado na Ilha Grande, Gipóia e no centro da cidade por imigrantes portugueses e japoneses, principalmente.

            Nesse período (1946), era também inaugurada a Rodovia Saturnino Braga- RJ 155 (Angra-Getulândia), que ligou o município à antiga estrada Rio-São Paulo.

            Em 1959, com a presença do presidente Juscelino Kubitschek e do príncipe Bernard, representando o governo holandês, era instalada na localidade denominada Jacuecanga a indústria naval em Angra dos Reis, através do Verolme Reunidos do Brasil S.A.

            A partir de 1960, o Estaleiro Verolme atraiu milhares de profissionais com mão-de-obra especializada, e de toda parte do Brasil, fazendo com que grande número de angrenses abandonasse a agricultura e a pesca como meio de subsistência para trabalhar como metalúrgicos.

            Já na década de 1970, dava-se início às construções, na Praia de Itaorna, da Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto ( Angra 1 e Angra 2), do Terminal Marítimo Almirante Maximiano Fonseca (Petrobrás) e da Rodovia Rio-Santos (BR-101), ligando Angra dos Reis ao Rio de Janeiro e Paraty.

            Com todos estes empreendimentos mais o fortalecimento do turismo, ocorreu uma expressiva expansão da rede hoteleira, tanto no litoral como na Ilha Grande, a edificação de diversas marinas, condomínios e shoppings. O processo econômico tornou-se uma realidade.

            A cidade cresceu, o comércio diversificou-se, modernizou-se e a população do município quase triplicou.

            Contudo, como o desenvolvimento foi muito mais rápido que as providências políticas tomadas para o planejamento urbanístico e ocupacional de seu território, surgiram em Angra os problemas existentes nas grandes metrópoles brasileiras: de saneamento básico, moradia, saúde, alimentação, segurança, transporte, educação e tudo mais. Contudo, não a tornou menos linda e receptiva aos turistas. Com suas 365 ilhas, boa parte dela na Baía da Ribeira, incluindo a Ilha de Caras, famosa por abrigar no verão, convidados vips da Revista Caras.  Sua história, cultura, arte e belezas naturais são mundialmente conhecidas e valorizadas o que engrandece ainda mais as riquezas desta cidade. Com suas águas transparentes refletindo o verde da Serra do Mar, Angra dos Reis é o lugar ideal para prática de esportes náuticos e os que envolvam montanhas e cachoeiras, como ski, trekking e rapel.

 

 

Bibliografia: Acervo SPAsophia Cultura & Arte; Angra do Passado – Miguel Assad; Projeto Angra dos Reis 500 anos.